Sábado, 25 de Maio de 2013

memento_bent


Playtime





A ideia partiu daqui.

Milady

Milady Nel 3000: ilustrado por Magnus num esquema de cores sombrio, forte e surreal, onde abundam contrastes e tonalidades escuras. O traço é espantoso, com uma inspiração visual que mistura o estilismo do vestuário chinês, composição pictórica japonesa, sensibilidade arte nova e um sentido muito pessoal de futurismo exótico. Cruzamento entre o exotismo do traço de Alex Raymond em Flash Gordon, tradição pictórica decorativa da arte nova e combinações surrealistas de cores de Magritte, Milady 3000 alia ficção científica sonhadora a uma fortíssima sensibilidades estética.








Wild captcha


Olha, um captcha com sentido de humor... intrigante, a ideia ballardiana de um código icónico selvagem.

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

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Comics


2000AD #1833: Quando comecei a ler a 2000AD fiquei imediatamente cativado pelo traço rude de Carlos Ezquerra, que definiu o visual rígido de Judge Dredd e de MegaCity One com desenhos pouco detalhados, sóbrios e quase pétreos. O sorriso hirto de Dredd saiu do lápis de Ezquerra. Este ilustrador continua a trabalhar para a revista, mas algo se está a perder no seu traço. Nota-se que o lápis e a aguarela foram trocados pelo photoshop, e os resultados são muito menos interessantes do que os seus anteriores trabalhos. A estética de Ezquerra adapta-se mal ao digital, e isso nota-se no seu mais recente trabalho em Judge Anderson.


Justice League Dark #20: Com Jeff Lemire a bordo aumenta o bom humor e o gozo puro. Ainda não está ao nível que atingiu em Frankenstein Agent Of S.H.A.D.E., mas aproxima-se. Constantine começa a ser bem utilizado e a integração com um personagem do estábulo principal da DC está bem feita.


Lobster Johnson Smells A Rat: Mike Mignolla anda em busca de personagens que se aproximem do sucesso que teve com Hellboy. Se a B.P.R.D. se tornou uma série contínua, este autor anda a experimentar com outras duas personagens promissoras. Baltimore, o caçador de vampiros numa europa alternativa devastada por uma praga vampírica é um deles. Lobster Johnson, saído das páginas de Hellboy, é outro. Mistura de The Shadow com as bizarrias que tornaram Hellboy tão querido pelos leitores, este Lobster Johnson combate criminosos, nazis e outras ameaças de contornos obscuros.


The Unwritten #49: O título começa a esgotar-se, e Carey regressa às reflexões metaficcionais. Mas algo se prepara. Nas páginas finais aparecem personagens de Fables, o outro título sobrevivente da Vertigo. Aparentemente a DC decidiu fazer um tie-in dos dois títulos da Vertigo, insuflando um pouco de ar em personagens que já acusam desgaste. Pode ser interessente, ou nem por isso. A ver vamos.

Playtime



O responsável foi o algoritmo de rendering que calculou todas as permutações possíveis de incidência, reflexão, refracção, efeitos ambientais e dispersão de um número elevadíssimo de raios de luz com focos localizados adicionais.


A ideia partiu daqui.

Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

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Fumetti: Sharaz-de, Dr. Morgue.


Sergio Toppi (2000). Sharaz-De. Saint Égrève: Mosquito.

Um sublime revisitar das lendas das 1001 noites, esse texto que alimenta os mais exóticos sonhos orientalistas. Sergio Toppi, um dos grandes mestres italianos da banda desenhada, dá-nos um olhar muito pessoal sobre alguns dos contos do clássico literário. Mas não é da narrativa que vive esta obra deslumbrante. O que a faz pulsar é o traço único deste autor, fortemente expressionista, com um trabalho espantoso de linha que confere uma solidez pétrea às suas imagens. Não há limites nas vinhetas, as imagens dissolvem-se entre si num misto de ilustração e banda desenhada. O trabalho a preto e branco é espantos,e  meio do álbum Toppi brinda-nos com umas etéreas páginas de cor, onde o traço pétreo se mescla com a cor difusa. Mais do que narração sequencial, temos neste livro uma narração pictórica, em que os diversos elementos se conjugam num todo dentro de cada prancha. O traço de Toppi marcou uma época, contemporâneo do barroquismo de Druillet e fortemente influenciador do trabalho de desenhadores mais recentes como Dave McKean ou Bill Sienkiewicz, autores que transformam a banda desenhada em espaço de experimentalismo pictórico estéticamente belo. Sharaz-De é uma obra deslumbrante que nos dá um fascinante vislumbre de um dos grandes nomes do fumetti.


Rita Porretto, Silvia Mericone (2011). Dr. Morgue: La Morte Perfetta. Perugia: Star Comics.

Um intrinante giallo com uma premissa interessante: um médico legista quase autista, incapaz de compreender as relações humanas mas capaz de falar com as vítimas de assassínios que investiga. Meticuloso, é capaz de discernir os padrões mais difusos e assim consegue encontrar os culpados de crimes aparentemente insolúveis. Há um elemento conspiratório onde uma elementos de uma poderosa organização sombria se divertem a congeminar crimes complexos para intrigar o idiosincrático doutor Morgue.

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

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City of Silence


Warren Ellis, Gary Erskine (2004). City of Silence. Orange: Image Comics

Um Warren Ellis ainda cru e a refinar o seu estilo mergulha-nos nas ideias de futurismo desgovernado, espaço urbano esmagador, choque de futuro e personagens assertivas e desenquadradas dos padrões de normalidade que tanto caracterizam a sua obra. City of Silence é uma espécie de prelúdio a Transmetropolitan com o seu futurismo urbanístico ou Doctor Sleepless e os choques epistemológicos fisicamente disruptivos. Nesta mescla de cyberpunk com policial num espaço urbano futuro que vivem em choques epistemológicos constantes, três personagens mais que humanos formam uma força policial oculta encarregue de silenciar inovações tecnológicas. Num desenvolvimento hiper-acelerado, qualquer inovação poderá ser potencialmente catastrófica e numa tentativa de manter alguma ordem no caos social as autoridades citadinas tentam travar qualquer lampejo de disrupção tecnológico-cultural. Apesar de imunes aos memes virais, os três agentes encarregues do silêncio cultural encontram um inimigo à altura na pessoa de um mago tecnológico, que utiliza os canais de comunicação eléctricos para invocar os demónios infernais. Uma mistura visceral de ideias complexas e futurismo sem limites, ainda em estado cru e sem reflectir a elegância violenta que se tornou a marca da obra de Warren Ellis.

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Playtime


refracção_bent



Gesebel

Fumetti clássico dos anos 60, Gesebel tem argumentos de pura space opera de Max Bunker, pseudónimo de Luciano Secchi. Aventureira do espaço, Gesebel é uma amazona das estrelas. Rainha das corsárias que habitam o planeta Virgin, enfrenta as investidas do fascista General Brosk, comandante das forças da república galáctica, troca as voltas às suas riviais, derrota tenebrosas ameaças e ainda tem tempo para mimar o seu gato. Personagem amoral, é ao mesmo tempo defensora da liberdade na galáxia, ditadora implacável do seu planeta e dominatrix romântica dos homens que escraviza.

O ilustrador Roberto Raviola, mais conhecido pelo pseudónimo Magnus, é o responsável pelo estilo austero da série. Com linha simples, fazendo forte uso dos contrastes de preto e branco, gestão espartana do espaço da vinheta, focalização em figuras detalhadas ao invés de vastos panoramas, mergulha-nos numa iconografia modernista onde se detectam os traços elegantes da art deco e algum barroquismo fin de siècle. Magnus ganhou fama pelo fumetti erótico Necron e é considerado um dos grandes ilustradores de banda desenhada italiana. Em Gesebel o seu trabalho caracteriza-se por um forte intimismo, curioso num género como a ficção científica que normalmente vive de grandes panoramas e tecnlogia detalhada. A simplicidade da sua linha traduz-se numa enorme elegância visual. A sua visão do futuro pode-nos parecer datada hoje, mas o estilo tecnológico streamlined, de linhas curvas e formas simples alicerça-se em influências do design futurista da época, inspirado por Bel Geddes ou pelo modernisno de Corbusier.

E agora deixo-vos com uma colecção massiva de imagens. Deslumbrem-se.



La Corsara Dello Spazio: a estrondosa apresentação de Gesebel e da sua galeria de personagens. Após enfrentar as forças da república galáctica e capturar uma nave da frota estelar, Gesebel tem de enfrentar uma intriga palaciana no seu planeta instigada por uma rival que deseja roubar-lhe o lugar cimeiro na hierarquia do planeta e os seus escravos sexuais.











Minaccia nel Cosmo: Gesebel enfrenta a ameaça dos alienígenas do planeta Mercurio, capazes de devastar Virgin e a república galáctica. 





 E La Terra Scoppio': As aventuras de Gesebel levam-na à Terra. Enquanto no império galáctico as tendências fascistas do General Brosk são cada vez mais acentuadas, Gesebel chega ao planeta Terra, um pardieiro estelar que se auto-destrói num cataclisma nuclear provocado pela eterna guerra entre americanos e soviéticos.







La Notte dei Pipistrelli: O planeta Virgin e toda a galáxia estão ameaçados pela invasão de minúsculos morcegos inteligentes, cuja derrota só é possível através da saturação da atmosfera com gás de alho. Pela paz da galáxia, um diplomata da república é enviado ao planeta e cai inevitavelmente nos braços sensuais de Gesebel.







La Setta Nera: Abrigada num asteróide à deriva pelo espaço, uma seita tenebrosa aproxima-se da galáxia e torna-se capaz de hipnotizar todas as populações planetárias, tornando-se os dominadores da galáxia. Apenas Gesebel, o seu gato e Mabus, o fiel criado mundo, escapam às garras mentias da seita negra e fogem pelo espaço em busca de novas aventuras.




Il Planeta Del Mistero: Deambulando pela galáxia, Gesebel aterra num planeta misterioso habitado por una raça de humanóides trogloditas e uma espécie alienígena metamórfica. Cruza-se nas cavernas com o seu arqui-inimigo Brosk, sendo que o exílio makes for strange bedfellows, e tem uma experiência alucinogénica antes de conseguir fugir do planeta.