domingo, 15 de agosto de 2010

O Espião na Máquina de Café



Kieron O'Hara, Nigel Shadbolt (2009). O Espião na Máquina de Café. Lisboa: Plátano Editora

Wook | O Espião na Máquina de Café

Mergulhámos alegremente no admirável mundo novo do digital. Já não vivemos sem internet e telemóveis, e na nossa vida do dia a dia infiltraram-se sistemas digitais até onde menos esperamos. Mas enquanto desfrutamos das maravilhas esquecemos, muitas vezes, o preço orwelliano que estamos a pagar. A natureza abrangente e aberta da tecnologia traz-lhe o potencial, muitas vezes utilizado, de vigilância a níveis que fariam salivar os piores ditadores do passado. A questão que se coloca é saber se vivemos num mundo potenciado pela tecnologia, ou num panopticon, uma gaiola digital em que sem nos apercebermos todos os nossos movimentos, acções e desejos são monitorizados.

Os prós e os contras de diferentes facetas da vida digital no que toca à privacidade individual são analisados neste interessante livro, que aborda as profundezas orwellianas da tecnologia digital. Enquanto retiramos os benefícios do digital governos, empresas e redes criminosas já o utilizam para formas de controle individual que fazem as dos piores estados policiais pálidas imitações. E tudo com uma enorme facilidade, registada em milhões de câmaras, chips, registos de pesquisa e logs de acesso.

Enquanto partilhamos os nossos estados de alma no Facebook ou em blogs, enquanto nos deixamos localizar com gps e geolocalização, esquecemos como o mundo encolheu. Já não estamos realmente isolados, e os nossos pensamentos e atitudes mais íntimas são facilmente devassados por terceiros. É este um dos grandes debates do início do século XXI, o equilíbrio entre a privacidade individual e o panopticon digital. Ou talvez não. Novas gerações que já cresceram nestes meios poderão tender a não encarar a privacidade e individualidade com o mesmo olhar daqueles que cresceram num mundo pré-digital.

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