domingo, 1 de abril de 2012

Bang #12


Quase a terminar a leitura do décimo segundo número da Bang!. Escrevo quase porque ainda não me dediquei à leitura dos contos. Não por desconfiança - a edição da revista tem um esforço notável na escolha da ficção, equilibrando clássicos com autores consagrados e novos escritores, sempre com boas surpresas literárias. Mas mais interessante para mim são os artigos de não-ficção, em que pessoas ligadas à ficção científica e fantástico partilham conhecimentos e pontos de vista sobre os elementos do género. E nisto a última edição da revista está bem recheada: António de Macedo a falar sobre o realismo de livros inexistentes, João Lameiras a mostrar como Ray Bradbury foi ilustrado em banda desenhada, David Soares a partilhar elementos obscuros ou Luís Filipe Silva num texto muito intimista entre a narrativa e o fluxo de ideias sobre os livros da sua vida, entre outros artigos notáveis. Mata a sede de conhecer mais sobre estes géneros culturais que se dedicam ao imaginário e à possibilidade do impossível.

Também interessante é a capa e o portfolio do ilustrador José Silva, a mostrar um domínio bleeding edge das ferramentas de criação em 3D mais avançadas. Quem sabe um pouquinho disto percebe a mestria do autor, embora pessoalmente não deixe de reparar que apesar do brilhantismo está firmemente ancorado na tendência hiperreal das artes digitais. O computador permite uma enorme multiplicidade de criações, e é duro chegar ao hiper-realismo com mestria. Por outro lado deixa de lado uma estética própria do digital, mas não faz parte do âmbito do tipo de ilustração e da revista andar por esses campos. Está bonito, e muito bem feito.

Agora resta dedicar algum tempo à ficção até que chegue a próxima. A Bang! está disponível gratuitamente nas lojas Fnac.

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