sábado, 21 de abril de 2012

Game On

A Game On aparenta ser uma exposição retrospectiva do mundo dos jogos de computador, mas na prática funciona como uma espécie de salão de jogos tamanho XL onde os visitantes se deliciam com dezenas de antigos jogos, despertando memórias e revivendo velhos tempos. Esta foi talvez a única exposição que visitei onde todos os presentes de qualquer idade tinham um sorriso estampado no rosto. Eu incluído. O espaço está organizado para que todos os interessados possam experimentar diversos jogos com a conjugação do ruído das máquinas de arcade e a pouca iluminação parece que se regressa aos salões de jogos dos anos 90.


Esquecido à entrada da exposição estavam partes de um PDP-1, máquina onde foi criado o Spacewars!, aquele que é considerado o primeiro jogo de computador. Fotografar um interface humano dos anos 60 com um tablet é algo que nos deixa a pensar na evolução do mundo digital. Sendo um dos poucos equipamentos que não estava ligado (não me parece que as entranhas do computador tivessem expostas) quem passava não reparava, atraído como uma traça pela luz bruxuleante das arcade.

A justaposição destas duas consolas recorda um dos grandes dilemas dos jogos antes do surgir de placas gráficas e processadores potentes. A promessa nas caixas de grafismos realistas que depois se traduzia nos visuais 8bit que agora olhamos com nostalgia (vide new aesthetic). Rudimentares aos nossos olhos estafados de tanta maravilha electrobinária, encerravam a promessa de uma realidade para lá do real tangível.



Uma das preciosidades da exposição: um simulador Atari Star Wars com uns eficazes gráficos vectoriais. Herdeiro directo do Sketchpad. Linhas coloridas sobre um ecrã negro e o cérebro faz o resto.

Para os fãs de iProdutos, havia a possibilidade de contemplar um Apple IIe, venerável ancestral dos iComputadores, iTelefones e iTablets.


Um dos pormenores mais atraentes da exposição é o reviver das estéticas retro dos antigos jogos. A amostra tem de tudo um pouco, desde jogos de texto com palavras brancas em fundo azul aos mais variados exemplos de jogos clássicos. Toda esta variedade é controlável por um autêntico ecossistema de controladores, consolas e dispositivos. Teclados, trackballs, controladores nes, nintendo, xbox, playstation, alguns verdadeiras relíquias. O mais intrigante é uma consola de jogo que simula os controles de uma nave, repleta de botões, manípulos e pedais. Um descendente directo do sensorama de Heilig...

Estéticas retro, divertimentos em 8bit. A velha estética da nova estética.

E sim. Ainda continuo a ser um zero à esquerda no arcade Virtua Fighter. Tanta moeda de vinte e cinco escudos que deixei nas máquinas do salão de jogos que ficava ao lado do liceu Pedro Nunes.

A vantagem de se estudar e investigar as áreas do digital é que uma visita a esta exposição pode ser justificada como trabalho. Fui lá para observar artefactos dos primórdios da era digital, tecnologias obsoletas e estéticas saídas das limitações das paletas de cores electrónicas. Mas não resisti a um dedinho no SpaceInvaders, ou às mãos frente a um Kinect. E, claro, um voozinho virtual no Atari Star Wars.

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