quarta-feira, 9 de maio de 2012

Literatura aos quilos

Dar a primeira leitura matinal às novidades. Seis horas de sono, seis horas fora do interminável fluxo binário que estimula as ideias. E dar com isto. Olhar, embasbacado, e pensar: ai sabe? A sério?

Neal Stephenson é um caso paradigmático de como os bons escritores precisam de bons editores. Alguém com capacidade e coragem de lhes dizer "melhora isto, resume aquilo, torna a escrita mais certeira". Os editores deste autor devem ter desistido disso algures lá para o meio do Cryptonomicon e o resultado está à vista: longas prosas alastrantes onde ideias interessantes e premissas intrigantes ficam enterradas sob um dilúvio interminável de descrições excessivas. O Ciclo Barroco foi um exercício... barroco de literatura que se mede aos quilos e o Reamde não lhe ficou atrás.

Sabe Stephenson escrever? Lá saber encher páginas e páginas e páginas de letras, isso sabe. Podia aprender a resumir o que escreve, facilitando a vida aos leitores que têm de atravessar o lamaçal que se tornaram os seus livros à procura das pérolas conceptuais que, vá lá, ainda deixa nos seus textos. Ler hoje Stephenson é uma experiência que vai do intrigante ao maçador e termina no doloroso. Longe vão os tempos do caleidoscópio furioso (e sintético) de Snow Crash.

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