quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Edison's Conquest of Mars

Garrett Putman Serviss (1898). Edison's Conquest of Mars.

Vale a pena ler este livro para ter uma ideia do que foram as edisonades, um sub-género literário inspirado na fama do inventor Edison que o colocava como personagem de mirabolantes aventuras em que as suas invenções eram determinantes para o final feliz. Talvez uma comparação actual possa ser feita com obras que colocam personagens históricos reais em aventuras ficcionais de género fantástico. O termo edisonade foi criado por John Clute e Peter Nicholls precisamente para designar este género de literatura de aventuras.

O livro chegou-me à atenção graças a um artigo do io9 que referia que seria um percursor dos principais elementos narrativos da FC contemporânea. E, realmente, esta sequela ao clássico Guerra dos Mundos de H. G. Wells conta com elementos surpreendentes que incluem batalhas entre frotas de naves aero-espaciais, guerras interplanetárias, armas de raios, fatos espaciais e até um aceno ao que hoje apelidamos de ancient astronauts com uma sub-narrativa em que os horrendos marcianos se estabelecem no antigo Egipto e raptam uma tribo semítica para a escravatura nos mares marcianos. Estas histórias de visitantes alienígenas civilizacionais tiveram recentemente um regresso à ribalta, cortesia do desastroso filme Prometheus.

A prosa não é de todo ilegível para uma obra escrita a metro no estilo de série do século XIX. Se descontarmos as tiradas épico-nacionalistas e os discursos inflados dos personagens, ficamos com um livro de aventuras inverosímeis. Datado, claro, porque tendo mais de cem anos passado sobre a sua escrita já sabemos que Marte não tem canais por onde murmura a água, já não soa bem representar diferentes etnias através de estereótipos ridicularizantes, anti-gravidade eléctrica é algo de impossível ou os fios telefónicos não são apropriados como meio de comunicação no espaço. Visto desta distância temporal, um pormenor curioso: os marcianos descritos por Serviss assemelham-se a uma má caricatura de Winston Churchill. Podem satisfazer a curiosidade sobre a obra e apreciar as suas ilustrações - algumas simplesmente fabulosas, com representações de verdadeiros dirigíveis espaciais em combate, no Projecto Gutenberg.

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